Manifesto aberto à estupidez humana
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A primeira vez que nos vimos, dizias ser marxista e veneravas abertamente a Marx. Meses depois havias te transformado num leninista ferrenho a ponto de orar a Lênin no saguão de tua casa. Alguns anos mais tarde levavas uma foto do Che e uma do padre Cícero ao pescoço e no dia de tua formatura, até um cego podia perceber que estavas apaixonado pelas teorias de Mussolini e que teus cabelos se punham em pé só em pensar nas diretrizes "honrosas" da república. Sobes as rampas dos palácios para ser aclamado e quando suspeitas que teus gestos estão sendo filmados, estendes rapidamente os braços para uma criança faminta que, sem entender nada de si, nem de ti, se deixa abraçar e, inocentemente, compactua com teu ato de vileza. Finges beijá-la, mas tens cuidado para não sujar o paletó e os bigodes naquele rosto esquelético, naqueles olhos assustados e naquela mísera migalha do espetáculo humano. [...]
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