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Estratos do tempo : estudos sobre história

Book information

Publisher
Contraponto : PUC-Rio
Year
2021
ISBN
9788578660994, 9788580061352
Language
portuguese
Format
EPUB
Filesize
658 kB (674177 bytes)
Edition
Pages
786\0
Topic
History
Time added
2021-07-04 17:37:50

Description

As guerras religiosas que ensanguentaram a Europa nos séculos xvi e xvii levaram à criação dos estados absolutistas, instâncias soberanas neutras em relação aos grupos em conflito, encarregadas exclusivamente de manter a paz. Separam-se moral, remetida à vida privada, e política, doravante submetida à razão de estado. Depois de obter êxito, impondo uma pacificação relativa dentro dos territórios estatais, esse arranjo começa a perder legitimidade. Progressivamente, o absolutismo deixa de ser considerado o garantidor da paz e passa a ser o inimigo da liberdade. O mundo burguês começa a articular um espaço político próprio, a sociedade civil, que vê a si mesma como um poder moral em oposição ao poder político absoluto. Essa dialética mina os fundamentos do status quo. A revolução francesa de 1789 abre uma época nova, que produz uma gigantesca inovação conceitual: a filosofia da história. Até então, existiam "histórias" no plural ? a história de uma cidade, a história de uma guerra ?, referidas a fenômenos específicos, cuja rememoração subordinava-se ao ideal pedagógico expresso por Cícero: a história como mestra da vida. Era preciso conhecer o passado para aprender com ele, pois as situações se repetiam, conservando, no essencial, a mesma estrutura e sentido. Aparece agora o conceito moderno de história. A vida dos homens passa a ser compreendida como um único grande processo estendido no tempo ? um tempo especificamente histórico, diferente tanto da cronologia natural como da religiosa. Novas teorias pretendem apreender o passado, o presente e o futuro como uma totalidade dotada de sentido, que engloba e unifica as histórias particulares. Propõe-se uma ordem sequencial para a diversidade cultural que a expansão ultramarina havia revelado aos europeus, situando diacronicamente aquilo que aparecia sincronicamente. E se, agora, o futuro é algo a ser construído, não há mais lugar para a contingência: ele é mera projeção dos desígnios do presente. No centro do novo pensamento está a ideia de progresso. A obra de Reinhart Koselleck (1923-2003) revê os fundamentos dessas inovações conceituais decisivas da modernidade. Em vez de um tempo linear, propõe um tempo estratificado, que rompe a alternativa entre sincronia e diacronia. Diz que a filosofia da história combina de modo peculiar voluntarismo e objetividade, pois a ideia de uma "marcha objetiva da história" é um artifício da vontade. Mostra que a memória coletiva está sujeita a quebras que produzem esquecimento, de modo que todo ganho de experiência corresponde, também, a uma perda. Recupera as noções de contingência e de imprevisibilidade, pois os planos humanos e sua execução necessariamente se dissociam, de modo que previsão e realização nunca coincidem. Depois de Crítica e crise e Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos, a Contraponto e a editora da PUC-Rio apresentam ao leitor de língua portuguesa esta nova obra-prima de Reinhart Koselleck, um historiador fundamental para se conhecer o presente. César Benjamin. Sumário Prefácio Introdução I. Sobre a antropologia de experiências históricas do tempo Estratos do tempo Mudança de experiência e mudança de método. Um esboço histórico-antropológico Espaço e história Teoria da história e hermenêutica Teoria da história e linguagem. Uma réplica de hans-Georg Gadamer II. O entrelaçamento e a mudança das três dimensões temporais A temporalização da utopia Existe uma aceleração da história? Abreviação do tempo e aceleração. Um estudo sobre a secularização O futuro desconhecido e a arte do prognóstico III. Atualidades e estruturas de repetição Quão nova é a modernidade? Indícios de um “novo tempo” no calendário da Revolução Francesa Continuidade e mudança de todas as histórias contemporâneas. Notas referentes à história dos conceitos Eclusas da memória e estratos da experiência. A influência das duas guerras mundiais na consciência social IV. Perspectivas historiográficas sobre os diferentes níveis do tempo Os tempos da historiografia Sobre a indigência teórica da ciência da história A história social moderna e os tempos históricos História, direito e justiça Alemanha, uma nação atrasada?

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