Uma História do Romance de 30
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Esta história do romance de 30 apoiou-se sempre no enfrentamento dos textos, antes de mais nada. A opção que desde o início orientou a escrita foi a de nunca partir de generalizações diante das quais o texto pudesse aparecer como mero exemplo. Assim, o leitor terá diante de si, o tempo todo, abordagens diretas de romances publicados nos anos 30. Por isso não se encontrarão aqui capítulos dedicados a conjuntos de obras, com exceção dos da parte final, dedicados a quatro autores eleitos como os mais significativos daquele momento. A norma foi construir o quadro geral do período pouco a pouco, a partir da análise, tão detida quanto possível para um trabalho desta natureza, de cada livro. Assim, a obra de um autor que atravessou a década é abordada em diversos pontos do texto, cada romance sendo discutido no momento em que pareceu sua contribuição ser pertinente para a construção de alguma tendência ou viés significativo do romance de 30. É claro que isso implica também assumir certos riscos. O principal deles me parece ser a constante tensão entre análise e síntese, que atravessa inteiro este livro - um sintoma menos grave e evidente dessa tensão, aliás, é o volume de texto que foi preciso escrever para manter a abordagem direta de cada obra num trabalho cujo interesse necessariamente recairia sobre um número grande de romances. Numa história do romance de 30 como esta, embora vários problemas sejam tratados, a figuração do outro acaba, dentre todos eles, ganhando um peso especial e específico que serviu de ponto básico para a análise dos autores-síntese que a encerra. Nessa questão é possível projetar, para discuti-los, muitos dos elementos que fizeram do romance de 30 um passo decisivo de nossa tradição literária, cujos efeitos se espalham até hoje por toda a cultura brasileira. Do "regionalismo" de Francisco Dantas aos contos "psicológicos" de Caio Fernando Abreu e Jogo Gilberto No11. No Cinema Novo, de Glauber Rocha e Nélson Pereira dos Santos a Paulo Cesar Saraceni. Das novelas da Globo a Central do Brasil. Do romance político do período da abertura, que disfarça o interesse obsessivo em revelar a realidade com a "sofisticação" da narrativa "intimista": à canção popular engajada, que assume o caráter funcional da arte.
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