Manual de Auditorias Energéticas na Indústria
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Com a alteração significativa dos processos industriais, a estrutura de custos da maioria das empresas fabris tem-se vindo a alterar e adaptar a um novo modelo onde prevalece a especialização, favorecendo o trabalho em rede e o outsourcing. Neste contexto, tendem a diminuir os custos internos de funcionamento e a aumentar as contratações externas de serviços. Tipicamente, as áreas privilegiadas para o outsourcing são as de recursos humanos, a financeira, a área estratégica, o marketing e as vendas, a parte administrativa, o apoio jurídico, e, mesmo, a produção e a logística. A energia continua a constituir um custo interno das empresas, um custo variável com termos fixos, e a ser responsável por uma fatia considerável dessa estrutura de custos que, em alguns setores de atividade, pode mesmo chegar aos 50%. Esta perceção é fundamental para se perceber bem o papel das auditorias energéticas na indústria, a sua contribuição para o conhecimento real das necessidades de cada unidade de produção e do seu consumo, bem como das medidas concretas e aplicáveis a cada setor, sistema ou equipamento, de forma a tornar as indústrias menos dependentes da energia, mas sobretudo, mais competitivas. A auditoria isoladamente já é uma ferramenta importante de diagnóstico, mas se for utilizada só desta maneira não esgota a potencialidade que encerra dentro de si. Por esta razão as auditorias vêm sempre, ou quase sempre, integradas num procedimento mais global que inclui também: 1) a existência de sistemas e equipamentos de medição e contagem; 2) a contabilidade e o registo dos consumos e respetivos custos, incluindo dos principais consumidores da empresa; 3) o diagnóstico ou a auditoria energética; 4) um plano de racionalização de consumos ou de implementação das medidas identificadas na auditoria; 5) o conhecimento e a capacidade de mobilizar os instrumentos financeiros e captar os investimentos necessários para operacionalizar as medidas; e, 6) verificação e monitorização contínua ou frequente que possa acompanhar o progresso da implementação das medidas e aferir o seu sucesso ou a necessidade da sua correção. PREFÁCIO 3 A auditoria pode e deve ser simplificada e tão automatizada quanto possível, passando para a esfera de responsabilidade das empresas a instalação de sistemas centralizados de gestão e sistemas específicos, sempre que se justifique, auditáveis ou sujeitos a acreditação, de forma a possibilitar, com recurso às novas tecnologias de TIC, o acompanhamento remoto do comportamento energético das unidades industriais, tanto pela própria empresa como pelos auditores externos. Isto permite, no futuro, reduzir os custos com medições e levantamento de dados. Apesar disto, continuo a defender a existência de uma área ou de um departamento técnico dentro da fábrica que se responsabilize e que conheça bem os sistemas e os consumidores de energia internos. Nesta ótica, não posso deixar de saudar o lançamento deste Manual de Auditorias Energéticas na Indústria, pela sua oportunidade, em pleno ambiente de transição energética, e pela circunstância feliz de existirem, em simultâneo, um conjunto significativo de pessoas realmente preocupadas e atentas a este assunto.
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