PORTUGUESE

Ensaio Sobre o Entendimento Humano - Livros III e IV

Book information

Publisher
Fundação Calouste Gulbenkian
Year
2014
Language
portuguese
Format
PDF
Filesize
29 MB (30192296 bytes)
Volume
II/Livros III e IV
Edition
Pages
512\512
Time added
2020-08-31 23:42:53

Description

John Locke O filósofo respeitou a tradição política da Inglaterra e comungou no bom senso pragmático do seu povo: não pôs em causa a monarquia nem as prerrogativas da nobreza. Recordemos que nessa tradição pesava muito a Magna Carta, que foi um pacto político não individualista que os barões feudais impuseram ao rei, assim levantando uma barreira eficaz ao movimento absolutista que então despontava por toda a Europa. Entendeu pois o filósofo que o contratante político ou cidadão de pleno direito era, nesse contexto, todo aquele que gozava de uma efetiva independência civil, vivendo sobre si, podendo pagar impostos, e tendo capacidade para servir na guerra e na função pública. E considerou que aquilo que o levava ao contrato social era o propósito de ver defendidas a sua liberdade e a sua fazenda, mais cómoda, justa e eficazmente do que ele próprio o faria, contando só consigo. Desta forma juntou e igualou, num mesmo grupo, a nobreza e a burguesia. Sustentava, apesar disso, o filósofo uma tese revolucionária que, no seu radicalismo, ameaçava solapar o seu compromisso contemporizador que assumirá; segundo ela, a única fonte inicialmente legítima da propriedade privada era o trabalho, que também deveria servir de critério à distribuição da terra. Deste modo condenava implicitamente a ética castrense, que valorizava as virtudes do guerreiro e aceitava as suas prerrogativas, designadamente quanto à apropriação violenta de bens; e afirmava expressamente o primado do novo homem moderno: o burguês esclarecido e operoso, o novo triunfador nos domínios da economia e da cultura. […] O perfil da política moderna que despontava era, porém, polifacetado e dividido por tensões internas: tanto preconizava a tirania das maiorias, exposta à cobiça dos demagogos, como a tirânica eficiência dos tecnocratas, como o terrorismo dos revolucionários igualitaristas, como um liberalismo que sem dúvida melhor expressava e melhor poderia realizar os novos valores sociais. Foi à definição teórica e à apologia desta linha liberal que Locke dedicou a sua vida. E toda a sua obra se subordinou a tal propósito. (Da introdução de Eduardo Abranches Soveral) ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO - Vol II LIVRO III CAPÍTULO I CAPÍTULO II CAPÍTULO III CAPÍTULO IV CAPÍTULO V CAPÍTULO VI CAPÍTULO VII CAPÍTULO VIII CAPÍTULO IX CAPÍTULO X CAPÍTULO XI LIVRO IV CAPÍTULO I CAPÍTULO II CAPÍTULO III CAPÍTULO IV CAPÍTULO V CAPÍTULO VI CAPÍTULO VII CAPÍTULO VIII CAPÍTULO IX CAPÍTULO X CAPÍTULO XI CAPÍTULO XII CAPÍTULO XIII CAPÍTULO XIV CAPÍTULO XV CAPÍTULO XVI CAPÍTULO XVII CAPÍTULO XVIII CAPÍTULO XIX CAPÍTULO XX ÍNDICE REMISSIV0 ÍNDICE GERAL

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